18/10/2008
- Zumbis do Espaço, LaBataria, Drakula, no Hammer
Rock Bar
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Aguardava
esse evento com ansiedade, pois os mesmos LaBataria
e Zumbis tinham se apresentado no Hammer no fim de maio
- e foi sem dúvida uma das melhores apresentações
que assisti em 2008. Repetindo a dobradinha, e dessa
vez reforçados pelo Drakula, foi novamente uma
noite de horror punk com adrenalina lá em cima
e casa cheia.
O
quarteto Drakula abriu me surpreendendo muito pela anarquia
instantaneamente instaurada e pela grande originalidade
dos sons. Portando máscaras iguais às
de lutadores de luta livre mexicanos, o projeto formado
pelo folclórico baixista Ete (dos Muzzarelas)
detonou uma mistura deliciosa de punk à la Ramones,
surf rock e muito, mas MUITO barulho. Os 3 que empunham
as cordas vira e mexe usam um transmissor, montado ao
lado da batera, que causa um feedback enorme, e conseguem
de modo incrível tirar sons dessa engenhoca.
A banda só tem um ano de existência, mas
mostra criatividade e energia ímpares - olho
neles!
O
LaBataria começou seu show, tal qual a outra
vez, com os caras usando as máscaras que tornaram
personagens como Jason Voorhees e Michael Myers em ícones
imortais - e aqui, a expressão pode ser usada
ao pé da letra - da cultura cinematográfica
trash/terror. São bem jovens e jogam gasolina
na fogueira com seu punk/HC altamente energético.
O vocalista é um demente total, e essa insânia
se reflete nos temas e nas hilárias letras que
o quinteto produz. Particularmente (e não sei
exatamente por quê), achei o show da outra vez
melhor, mas os caras são mais uma verdadeira
revelação - sangrenta - da cena regional.
Aí
sobem ao palco do Hammer novamente Thor, Gargoyle, Hank
e Zumbilly. Muitos só conhecem os caras como
"o Misfits brasileiro", mas o buraco é
mais embaixo… a influência dos heróis
de New Jersey é latente, mas tem mais coisa na
salada: rockabilly, bastante country e mesmo algo de
metal faz dessa deliciosa mistura um som pesado, 100%
contagiante, dançante (seja na roda ou com passos
de rock'n'roll puro) e que desce com extrema facilidade.
A
experiência acumulada em quase 13 anos de estrada
salta à vista logo nos primeiros sons: interação
constante com o público, segurança absoluta
e um clima de festa que raramente se vê em shows
de rock pesado. Mandaram tudo que o pessoal pedia: "Mato
Por Prazer", "Vampira", "Que Venham
os Mortos", "Jogos de Horror", "A
Marca dos 3 Noves Invertidos", a obrigatória
"Espancar e Matar"… o pessoal só
fica lá embaixo pogando, arriscando mosh (até
meninas!) e jogando cerveja pra cima e pra dentro da
pança. Divertidíssimo como poucos conseguem
fazer, talvez até pela absoluta simplicidade
e energia crua de sua música.
A
freqüência da galera e o sorriso estampado
de forma contante no rosto desta só confirmaram
novamente que o punk/hardcore é uma faceta viva,
forte e pulsante do rock em nossa cidade. Ainda hoje,
de modo infeliz e injustamente estigmatizado como um
som que gera e atrai violência, o punk a cada
dia derruba mais barreiras da ignorância com muita
cerveja, diversão e (não nesse dia, óbvio)
engajamento político. Demorou as demais vertentes
pesadas deixarem esse preconceito de lado e vir celebrar
verdadeira a usina de som que os caras produzem. Afinal
de contas, o pessoal com as camisetas 666 dos Zumbis
é infinitamente menos "perigoso" que
qualquer descontrolado que se encontra no trânsito,
por exemplo…
Glauco
"Sarco"
Grupo Metal Rise