
Purecavespringwater
- Thriven
Fonte: Whiplash
Publicado em 20/11/2008
O
sufixo "core" pode causar arrepio em muita gente,
visto o tanto de coisa que sai por aí, hoje em dia, com
essa conotação às vezes mesmo pejorativa
- muitas vezes com resultados pífios. Sabendo que o Thriven
pode ser definido como metalcore, fiquei meio assim até
assistir ao show de estréia dos caras, e qualquer sombra
de dúvida se desfez quando coloquei esse EP pra rolar:
que soco no cérebro, e quanta criatividade!
As
4 faixas foram gravadas quase em sua totalidade num home estudio,
incluindo a drum machine - hoje têm um baterista fixo-,
mas a produção final do Ricardo Piccoli (que já
produziu diversas bandas da região de Campinas) se mostra
mais uma vez impecável: tudo nivelado, cristalino e com
um peso de trincar os dentes. Já escutei esse CD uma
porrada de vezes, mas tem tantos detalhes e nuances na gravação
que eu ainda encontro pontos interessantes, que enriquecem todo
o conjunto.
Mas
vamos ao som, que no fim das contas é o que interessa:
antes de qualquer coisa, é difícil rotular a música
dos caras… um cheiro de Lamb Of God e Machine Head fica
bem evidente em alguns momentos, mas a esses são somados
riffs puramente thrash 80s californiano, cantos de voz limpa,
samples e efeitos sonoros riquíssimos. Uma balanceadíssima
mistura de viajeira, raiva e um peso avassalador.
'Pure'
abre com riffs precisos em suas cavalgadas, desembocando em
vocais e alavancadas hipnóticas na guitarra. A bateria
foi programada de modo primoroso, eu particularmente acho muito
difícil dizer que não é um batera "orgânico"
- ainda mais considerando que hoje em dia quase tudo é
gravado com trigger… muitas vezes soa artificial, mas
aqui passa nem longe do padrão. Levadas ótimas
e contagiantes, com um final perfeito - um piano em meio ao
caos, excelente.
'Cave'
mostra que o vocalista Pedro consegue passar com facilidade
de um gutural cavernoso a berros quase histéricos. 'Spring'
é a típica sonoridade-pesadelo: notas neuróticas
em meio a climas que lembram os melhores momentos industrialóides
do Fear Factory e, em menor grau, Ministry. Ainda entram cantos
de pássaros (!), vocais mais melódicos e o que
se tem é uma alquimia genial, terminando num quase blastbeat.
'Water',
com sua atmosfera opressora e andamento mais carregado, fecha
deixando um enorme gosto de quero mais pra saber qual a demência
que ainda vai sair da cabeça de Sidney (G), Pedro e Felipe
(G/V, depois entraram o excelente Fox no baixo e Gigante na
batera). Isso porque eles fecham o release dizendo que essas
são as quatro piores faixas que você vai ouvir
da banda… dá até medo imaginar o que eles
têm a produzir - se vier algo nessa linha, a banda se
tornará algo de audição simplesmente obrigatória
ao fã de música pesada em geral.
E
seria sacanagem terminar sem falar do disquinho em si: esse
é, fácil, o digipack mais luxuoso que já
tive em mãos, um trabalho com capricho e qualidade inacreditável…
só vi coisa parecida em CDs quase artesanais de MPB.
O material todo é de altíssimo nível, capa
é tal qual aqueles antigos livros de capa dura, encarte
que se dobra (só vendo pra entender), impressão
e imagens belíssimas, papel de primeira, tinta dourada.
Algo de cair o queixo mesmo, como se não bastasse o excelente
conteúdo musical.
Profissionalismo
a toda prova, e quer saber o melhor? Parte da banda só
tocava cover até pouco tempo atrás… como
eu adoro quando isso acontece: as pessoas páram de emular
as criações alheias e passam a desenvolver idéias
próprias. E aliás, fica a trivia para o leitor
que gosta de uma boa bebida, algo que só o guitar da
minha banda prestou atenção: de onde vêm
as palavras para o título do EP? Acertando, além
de seus ouvidos, o fígado agradece o mimo… Recomendadíssimo
pra quem quer escutar algo diferente!
Faixas:
1. Pure (4:30)
2. Cave (3:39)
3. Spring (4:34)
4. Water (5:57)
2008,
independente (BR). Tempo total - 18:40
Glauco
Sarco
Grupo Metal Rise