Exordium, Das Leben, Der Wanhsinn - 22/06/08, Hammer
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Não
era exatamente a minha praia, mas o promotor do evento,
Wagner Galesco (guitar do Intrinsic e figura tradicional
na nossa cena independente) me convidou para a festa
de lançamento do portal Gothic Kaballah, contando
com 2 bandas autorais locais e 2 de covers da capital.
Num domingo à noite não se tem muito o
que fazer, e como o chamado das guitarras e cerveja
fala mais alto, lá fui pro Hammer com uma amiga.
Dado
o fato que abre esta resenha, estava com o pé
atrás em relação ao que ouviria
- e felizmente foi mais um dos casos em que me surpreendi
de modo muito positivo. Como o Intrinsic cancelou sua
apresentação devido a problemas no line-up,
quem colocou os pés no palco primeiro foi o Exordium.
Inquestionavelmente o
maior
representante do gothic metal da região, devo
confessar que nunca gostei da banda, mas o que vi mudou
bastante meu conceito: estreando sua nova formação,
apresentaram uma excelente performance, que ganhou o
público de imediato.
Muito
peso e técnica instrumental, em especial do guitarrista
e o novo batera, carisma e presença de palco.
Na 2ª música foi chamada às luzes
a nova vocal da banda, Talita, e uma agradabilíssima
surpresa rolou. Embora sua voz estivesse quase inaudível,
ela mostrou afinação e, o mais importante,
entrosamento com os outros músicos e a audiência:
uma postura muuuuuito diferente - e vital - de sua antecessora.
Falta postura de palco (ela é iniciante, o que
deve ser relevado) e treinar potência, mas o mais
importante é: parece que finalmente desceram
do salto alto, dando mais foco nas músicas e
sua interpretação do que em jogo cênico.
Pra muitos, o que me inclui, foi o grande destaque da
noite.
Rapidamente
entra o Das Leben, Lacrimosa cover de Sampa, que começou
bem mas deixou a bola cair no decorrer da apresentação.
Não lembro de ter visto algum banda na história
do Hammer subir com tanta gente no palco (eram 8, um
time de futebol de salão mais reservas), mas
nem essa galera toda conseguiu animar o pessoal. Não
sou familiarizado com trabalho da banda homenageada,
mas os presentes que conhecem as músicas originais
queixavam-se que não estava muito fiel. É
triste ver a platéia se esvaindo com o decorrer
do show (pô, eu que toco sei como é árdua
a rotina de ensaios e depois tocar pra um pessoal que
não se anima), mas fica aí um termômetro
para a banda rever sua performance.
Fechando
com chave de ouro, o Der Wanhsinn também veio
da capital prestar tributo a outra banda, o Rammstein.
Já chegaram mostrando serviço, e instalou-se
uma mudança radical no comportamento da platéia:
o peso quase palpável das guitarras e as vocalizações
fortes ganharam a todos, que agitaram e cantaram junto
(em alemão, como pode?) o som personalíssimo
e industrialóide dos caras. Excelente domínio
de palco e mesmo usando de um figurino todo estilizado,
garantiram o que faltava pra fechar a festa: muita energia
e empolgação, valeu a pena aguardar.
No mais, um evento de sucesso que evidenciou que há
um público fiel e cativo (embora um tanto adormecido,
com potencial muito latente)para o estilo em Campinas.
Acredito que o crescimento deste segmento aqui é
inevitável - mesmo porque algo semelhante só
rola no Ground Zero, que ocorre mensalmente no Woodstock
(com a desvantagem de ser só som mecânico).
Fora isso, se o pessoal quiser se divertir nessa linha
de som, tem que viajar pra São Paulo... Parabéns
à produção pela iniciativa - às
vezes eu mesmo tenho que lembrar que underground não
se restringe só às vertentes mais agressivas
do Metal.
Glauco
Sarcófago
Grupo Metal Rise