
Novos
rumos para a banda Rei Lagarto

Quando o Rei Lagarto iniciou suas atividades, a atividade de
produzir e distribuir música era algo bem diferente do
que é hoje. A produção musical, como outras
áreas da sociedade, está em constante mudança,
e não apenas na questão dos estilos e gostos musicais.
A música também muda constantemente porque acompanha
muito de perto a evolução da tecnologia, e os
efeitos das novas tecnologias sobre a música e a produção
musical são muitos.
Quando
gravamos nossas primeiras “demo tapes” usávamos
gravadores analógicos multi-pistas, na época a
melhor solução em tecnologia de gravação.
Eram equipamentos com uma excelente qualidade de gravação,
mas produzir músicas era caro e demorado, pois o preço
dos equipamentos era alto, assim como a hora dos estúdios
de gravação. Estes equipamentos também
não ofereciam muita flexibilidade para a gravação,
mixagem e edição das músicas.
Poucos
anos depois apareceram os primeiros sistemas para gravação
digital, o que transformaria todo o processo de se criar, produzir
e distribuir música. Ainda hoje, produzir música
ainda exige experiência, o conhecimento das tecnologias
necessárias, e talento para criar e produzir música
com a qualidade esperada. Mas as tecnologias digitais são
mais baratas e oferecem maior flexibilidade de edição
para o produtor.
No
início da era da gravação digital, gravar
uma música se tornou algo mais acessível, mas
colocar essa música no mercado ainda era algo para poucos.
O vinil deu lugar ao CD, mas prensar e distribuir um álbum
ainda era algo caro e que exigia uma estrutura que estava além
da capacidade da maioria das bandas independentes. Os selos
e gravadoras ainda tinham o monopólio da comercialização
dos produtos musicais.
A
grande revolução da distribuição
e consumo de música aconteceu com a popularização
da Internet e dos formatos de compressão digital do áudio,
principalmente o mp3. Há alguns anos ninguém poderia
te previsto o impacto que a Internet teria no mercado musical.
E o fato é que esta nova realidade ainda está
se construindo, e em poucos anos muita coisa ainda vai mudar.
Os
formatos de música digital, como o mp3, se tornaram o
novo padrão, e o download substituiu a compra de CDs.
O “streaming audio”, em suas diferentes formas,
como por exemplo as estações de rádio da
Internet, já é um meio comum de se escutar música.
A popularização dos tocadores de música
digital, como o iPod, ajudou a transformar essa tendência
em padrão nos países industrializados.
Isto
traz uma mudança nos padrões de consumo de música,
fazendo com que o volume de venda de CDs diminua cada vez mais,
enquanto os downloads de música crescem de forma expressiva.
Mais e mais pessoas pensam em termos de se adquirir músicas
individuais, e não mais álbuns inteiros. Assim
como o modelo de produção musical mudou, o modelo
tradicional de consumir música está em transformação
também.
O
modelo tradicional dos selos e gravadoras está em pleno
declínio, e embora o CD não vá deixar de
ser comercializado tão cedo, seu destino eventualmente
será o mesmo do vinil. Conforme a Internet vai se tornando
acessível para mais e mais pessoas, mais o novo modelo
de consumo de música vai se padronizando, e mais os selos
e gravadoras vão perder mercado.
Para
as bandas independentes, tudo isso tem reflexos muito positivos.
Não apenas os custos de produzir as músicas estão
cada vez menores. Também os custos de se distribuir música
na Internet, tanto através de site próprio, quanto
através de acordos com sites de distribuição
de música digital, são muito menores que os custos
do modelo anterior. A infra-estrutura de distribuição
das gravadoras, as exigências das lojas de comércio
de música, as “prensadoras” de CDs, tudo
isto já está ficando para trás, e sendo
substituído por um novo modelo de mercado.
Junte
a isso o poder das redes sociais (Orkut, MySpace, etc...) e
temos uma nova realidade que já decolou e que está
criando uma nova ordem social no mercado da música. A
revolução da Internet criou condições
para que o músico só dependa de si mesmo para
colocar sua música na mão de consumidores em qualquer
parte do mundo.
Acompanhar
essa transformação é hoje algo extremamente
necessário para a banda independente que deseja continuar
no mercado. A banda Rei Lagarto busca também seu espaço
dentro desta nova realidade, e para isto há algum tempo
já mudamos nossa maneira de encarar nosso trabalho, investindo
em um estúdio digital próprio, e focando no marketing
online.
Seguindo
essa mudança de estratégia, , a partir do início
de 2009, o foco da banda não mais será o de produzir
álbuns para prensagem e venda, como vínhamos fazendo
até então. Nossos esforços agora se concentram
no lançamento do nosso novo site na Internet, previsto
para o final de Janeiro. Nele concentraremos o lançamento
das nossas novas músicas, e a comercialização
das músicas de nossos álbuns anteriores. Também
planejamos fechar contratos com alguns sites de distribuição,
para a venda de algumas de nossas músicas, e investir
cada vez mais no marketing online.
Não
pretendemos prever o futuro da música na Internet, pois
em alguns meses tudo pode mudar. No entanto, é um fato
incontestável que a realidade da música mudou,
e a nova postura da banda Rei Lagarto acompanha estas transformações.
As bandas hoje tem uma grande oportunidade de retomar o controle
de seus próprios destinos, deixar para trás a
realidade do monopólio dos selos e gravadoras, de se
adaptar, crescer, e achar seu lugar nesta nova realidade.
Banda
Rei Lagarto